segunda-feira, 7 de setembro de 2026

Não foi um fim

Você não terminou comigo.

Você foi embora.

E existe uma diferença imensa
entre fechar uma porta
e simplesmente desaparecer por ela.

Eu teria suportado a verdade,
por mais cruel que fosse.
Teria chorado diante das suas palavras,
teria perguntado,
teria ouvido,
teria tentado entender.

O que eu não soube suportar
foi o silêncio.

Porque você partiu
e deixou em mim
todas as perguntas
que deveriam ter morrido
entre nós dois.

Quando foi que deixou de me amar?
Quando começou a ir embora
sem que eu percebesse?
Por que não me contou
enquanto eu ainda acreditava
que estávamos bem?

Eu fiquei.

Fiquei procurando nas lembranças
o instante exato
em que tudo mudou.

Revirei conversas,
gestos, palavras,
dias bons e dias ruins,
tentando encontrar
em algum detalhe esquecido
a explicação para o seu adeus.

Mas não havia adeus.

Havia distância.
Havia pressa.
Havia uma porta fechando
e eu do lado de dentro
tentando entender
por que você tinha ido.

Talvez você soubesse
como sair.
Só não soubesse
como permanecer.

Talvez soubesse chegar,
ocupar espaço,
criar intimidade,
fazer morada em alguém.

Mas quando amar exigiu
conversa, coragem,
presença e responsabilidade,
você escolheu partir
antes de precisar explicar.

E eu fiquei me perguntando
se havia alguma coisa errada em mim.

Se eu tinha sido demais.
De menos.
Insuficiente.
Difícil de amar.

Como se a maneira
que você escolheu ir embora
pudesse definir
o tamanho do meu valor.

Mas hoje eu começo a entender:

você ter ido
não diminui o que eu fui.

Seu silêncio
não transforma em mentira
tudo aquilo que vivemos.

E a ausência de um fechamento
não significa que eu precise
passar o resto da vida
esperando por uma explicação.

Talvez algumas despedidas
não tenham últimas palavras.

Talvez algumas pessoas
simplesmente saiam
deixando atrás de si
um grande ponto de interrogação.

E talvez o meu fechamento
não seja ouvir você explicar
por que foi embora.

Talvez seja aceitar
que você foi.

Mesmo sem resposta.
Mesmo sem cuidado.
Mesmo sem a despedida
que eu merecia.

Porque eu não posso obrigar
quem escolheu fugir
a voltar para terminar
a conversa que deixou pela metade.

Só posso, um dia,
parar de esperar
que você volte
para me explicar
por que me deixou.

E quando esse dia chegar,
talvez eu finalmente perceba:

você não terminou a nossa história.

Você apenas saiu dela.

E eu ainda posso escrever
o resto da minha.